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Cade as terras frias?

October 30, 2009

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Lembra que falei que recusaram me vender o ticket para o norte? Pois eh, comprei-o pela internet e aqui estou, dentro do aviao, rumando as terras frias, com alemaes por todos os lados.

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Fiquei muito puto com essa historia, vontade de ligar pra mulher que me negou e dizer pra ela se fuder antes que eu me esqueca. Problema algum com a imigracao. Tranquilo e calmo…

Era, penso eu, um puta dum preconceito, como se eu fosse imigrante ilegal ou usasse passaporte falso… quando ela viu as dezenas de carimbos em meu passaporte riu como se dissesse “esse ai ta fudido, tentando enganar quem?”, e eu, logo eu, o mais limpo de todos, soh estava atras da passagem mais barata… enfim.

Mas eu nao sei , acho que tenho problemas com aeromocas tambem, esta tambem me olha torto, tirando o fato que a empresa eh totalmente alema, revistas e jornais, todos os filmes dublados, e ainda cobram pelo fone de ouvido, daqueles que soh tem utilidade aqui no voo, com dois plugs que nao sao retrateis…

Vai entender…

Mas voltando um pouquinho acho que quero contar do meu ultimo dia.

Achei o diacho da miraa, comprei uma bela porcao e sai a andar pela praia com um amigo novo que ja passou. O cara tentou me vender de tudo, maconha, cocaina, tablets, e eu la, “nao nao, parei com tudo, agora sou velho, preciso ser careta” . ninguem aqui acredita que tenho 31 anos.  Ele tem 21. dois filhos. Primeira coisa que disse pra ele foi “ sabe aquela borracha que se coloca no pau, nao sabe?”

Ele riu a bessa.

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Outra pessoa gente fina eh o dono do hotel onde fiquei, Luciano, italiano de Bari, conversamos um bocado, ele me deu musicas africanas, eu dei-lhe musicas brasileiras e mostrei-lhe fotos do laos e vietnam, lugar onde ele deseja visitar.

Minha ultima tarde na africa foi ao estilo brasuca: na praia, tomando cerveja e escutando samba.

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Tenho um amigo da tailandia que veio pra ca trabalhar. Tentei acha-lo todos os dias que passei por aqui e nada. Confesso que estava um pouco triste, poxa, tao perto tao longe… ele finalmente ligou na ultima noite, agora era tarde para encontra-lo mas mesmo assim foi muito bom ouvir a voz de um amigo que esta no mesmo pais que voce, a qual pode trocar infos, e nao apenas relata-las…

Voltei ao posto de gasolina onde comi minha comida local, bati um prato de feijao com carne de boi e repolho, um chapati e claro, uma cerveja. Boa comida, todos acham que falo swaili porque aprendi o basico e ja saio falando, acham que sou ethiope.

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Mas acho que eh assim mesmo, aprenda um pouquinho e ja saia falando, as pessoas te corrigirao pelo caminho, e voce fara muitos amigos com isso.

Luciano me pediu pra voltar em fevereiro para agitarmos uma festa “brasiliana” no reduto italiano da costa africana. Ate falei barso-italo-swahili com o povo por aqui.

“hey, mzungu, bon giorno! tudo bem? mzuri sana! assanti!”

Sem problema, nem eu sei como.

Eh claro que nao era italiano, mas engano muito bem.

Voltas e voltas e voltas e ca estou eu de novo. Num aviao cruzando o egito neste momento. Morrendo de tedio.

Ou seria vivendo no tedio.

Saudades dos meu amigos de do Brasil e de Bangkok.

Vontade de despachar a mala o quanto antes.

Humpft!

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Dia: -30

March 25, 2009

Abrindo cabeças. Parece um bom nome. fiquei um bom tempo “empacado” com o como poderia chamar este blog. Este brotou de tão simples apenas 4 meses depois do início do projeto. É impressionante como as coisas mais simples e eficientes estão sempre na nossa frente, passando por nós o tempo todo e mesmo assim só nos damos conta quando estamos prontos.  Acho que este título foi assim.

É pretenção achar que este é O título, mas tinha que começar de algum lugar e resolvi que seria agora.

Abrir cabeças é que é pretenção. Esperar, buscar, almejar que cabeças, mentes se abram para a igualdade que o ato de cada um pode representar nas grandes revoluções que sonhamos. Revoluções. A pretenção está no fato de  nos sentirmos menores do que somos, impossibilitados de se desprender do solo da estabilidade para buscar os sonhos em terrenos diferentes.  Mas não é preciso desprender-se do solo. Todo solo é o mesmo solo. Você pode caminhar 16.000 km chegar em um lugar onde a vida, a cultura, a história sejam completamente diferentes e, ainda assim, achar muito mais do que semelhanças.

Achar diferenças na igualdade. Na mesma igualdade.

Você não é único, eu não sou único. Nós somos únicos.

Nós.

Abrindo cabeças. A começar pela própria. partir daí e abrir quantas mais conseguirmos, na família, nos vizinhos, nos amigos, para que exponencialmente se alcance sabe-se lá quantas. O número não importa. Pode ser 100, 1000, 1.000.000, 1. Uma só cabeça já é a grande vitória.

Se se abre uma cabeça, se abre todas.

Abrir a cabeça para o quê? Para a real força das pequenas revoluções, das cotidianas e menores mudanças, nos atos, nos pensamentos.

Agora já dá pra explicar um pouco do projeto.

Explicar que a principal idéia do projeto é mandar um sulamericano para o sul da Ásia em uma busca pessoal e universal. Onde o principal objetivo é entender. Como vivem, seus medos, suas felicidades, quem são. Manda-lo numa jornada de descoberta, de aprendizado, de entendimento.

O que irá encontrar por lá? as diferenças, algumas delas são facilmente elencadas. E as semelhanças? Se somos todos junto únicos, o que fazemos pelo outro lado do globo que pode ser feito aqui? O que podemos fazer em conjunto? o que cada um pode fazer para que da união dos pequenos atos e pensamentos surja grandes mudanças?

Este sulamericano faz documentários. Relatos. E busca com eles que cada um que os tenha acesso possa guardar pra si apenas uma coisinha, uma ideia. E se dentro destas ideias quem ouvi-la puder perceber o que realmente importa, mesmo que seja apenas de relance, já basta. Já é o início.

Relatar outros povos pelo olhar deste sulamericano, não como um antropólogo, não como um observador. Relatar como um aprendiz, como um estrangeiro que precisa estar aberto às experiências, à vivência e à todo o tipo de aprendizado, seja vindo de fora, seja de dentro.

De que somos juntos apenas uma coisa. Únicos.

Olha só como as coisas funcionam: Um oferecimento, um convite. e ele percorrerá uma boa parte do sudeste Asiático conhecendo povos e culturas e ações realizadas para melhorar o aquele “entorno”. Mostrar os países e suas culturas pela igualdade de objetivos. Mostrar as diferenças pelas igualdades.

O filho do grande mestre Buarque já dizia que todo mundo tem pereba, citava Cole Porter dizendo que todos fazem e Sergio Bartotti para dizer que todos juntos somos fortes.

Só a bailarina que não é, que não faz. E quem quer ser a bailarina? Quem quer ser único em um mundo de únicos?

Esta jornada começa aqui. 30 dias antes. No final do começo de tudo.

E o sulamericano é este que lhe escreve estas palavras. Esta tudo em sua frente. Mas será que ele está pronto? Será que eu estou pronto?

Será que importa estar pronto? Ou nunca estar pronto é a real prontidão para tudo o que está por vir?

Aprender. Apreender. Relatar. Dividir. Contribuir.

Abrir cabeças.