Benvinda vinda a Paris

Calçadas molhadas

O frio que bate no rosto

E corta qualquer pensamento

A ciencia de ser um estranho

Num mundo de estranhos

O desejo de cessar os carros

As sirenes

O crescimento dos cabelos

As malicias

O proprio desejo em si

Parar que eu quero descer

Ou nao,

Para que eu quero subir

Em mim, proprio de desejo

malicioso

como sao os pelos

sirenos

encantando o ceu-mar e suas naves

De estranho o mundo

ex-estranho por ciencia

que no pensar-navalha

esbofeta o rosto

molhado na calçada.

Hoje eu fecho um janela.

Abri tao logo cheguei ao Brasil

Pulei e vivi (e nao)

E realmente nao te importam

E nao contarei aqui.

Muito e pouco mudou, pouca coisa, muita mudança.

Perdi meu doce, criança roubada. Pior que isso: incauta, nao soube cuidar, deixou cair na areia, derreter.

Mas… acontece. Chora chora, enxuga o rosto e corre pro gira-gira.

Pego um voo e 11 horas depois estou em Paris. Umida, fria como o cao, linda como sempre.

Descobri como me situar um pouquinho, que marais (mareh) eh onde tem o melhor falafel, que tem salvia em notre-dame pra fazer 300 kilos de macarrao na manteiga e suas folhas. Que alem de queijo, bom mesmo eh se perder pela cidade, sempre com um bom guia ( que alias, o da folha eh bem melhor que os gringos), e que se tu nao fala frances, ha alguns pubs irlandeses espalhados pelo centro onde eh possivel, estando soh ou acompanhado, passar um bom tempo conversando sobre qualquer coisa. Das duas vezes que estive lah pude ate mesmo conversar em portugues, hoje com um ingles, da outra vez com um vietnamense.

Tirando o frio que mata, a cidade durante a noite eh linda. Suas luzes amarelas preservam o charme aceso e quente, sempre a base de muito cafe, vinho e turistas.

Nao existe baratinho aqui, eh lenda. Existe o local. Se eh barato? Eh, pro europeu, pra quem ganha em euro, pra quem ganha muito. Mas ainda assim vale a pena.

Comprar um vinho bordeaux por 6 reais, um camembert por 3 reais e uma geleia deliciosa cereja por 2. Se quiser, uma baguete por 3 e pronto, menos de 15 reais e tu tens um otimo banquete pra dois, tres ou ate quatro.

Ou a felicidade bebada dos sozinhos. Nesse caso, compre o pao, te salvara no final, tenha certeza disso.

Ta sem grana nenhuma? Dorme no metro. Otimas estacoes, silenciosas, quentinhas… soh nao esqueça de deixar a mala em gare du nord (4euro, 72H) senao corre o risco de acordar sem nada no dia seguinte.

Primeiro domingo do mes os museus sao gratis em toda a cidade

Em maio eles abrem durante a noite.

E se tu pagas 20euros por mes pode ir ao cinema (rede comercial) quantas vezes aguentar!

Uma hora tomo vergonha e vou ver velhos amigos.

Monet

Renoir (passando um temporada no Grand Palais)

Rodin

Picasso ta chateado, nao mostrara as caras nem no proximo mes.

(reformando a casa)

tomar um cafe com eles e olhar a vida alheia.

Comecei a ficar angustiado

quase cheguei a me apaixonar

poderia se quisesse

mas nao quis, melhor deixar como esta. Nao eh dificil se apaixonar por uma francesa, com esses labios e aquele sotaque…

Mas a angustia eh da ida. Preciso me mover, sair daqui ou pra trabalhar ou pros tropicos. E rapido.

Um dos inconvenientes de viajar de graça, esoerar no meio do caminho pela conclusao das coisas e a dita cuja passagem pra Indochina.

Ah que saudade!!!

Como serah que estarah? Mesmo cheiro de molho-de-cachorro-molhado?

Certamente…

E gira o gira-gira.

Girou que girou que ate vai me dar um filho, mas depois eu conto.

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One Response to “Benvinda vinda a Paris”

  1. Lorena Says:

    Quer dizer que você foi mesmo?

    Tantas vezes ensaiei dar um pulo na sua casa pós yoga e enfrentar sua eterna insistência em me agarrar…não fui.

    Mas será que não vai um pouco de mim aí na sua mala? No seu coração?
    A amiga que só fala “tsc tsc”, “vc não presta”, “vc não vale nada”, “se cuida’.

    Sonhei que te via no jornal. Notícia ruim….metido em encrenca. Meu amigo! Meu amigo em encrenca não.

    Vc vai e faz. Admiro.
    Já eu tô com planos bons.
    Vc saberá.

    Se cuida, meu querido. Quero um abraço apertado e sem vergonha daqui há um tempo.

    Beijo grande,

    Lo

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