Archive for February, 2010

Ufa!

February 28, 2010

Não dá pra viver e contar ao mesmo tempo.

Cheguei de novo a Bangkok, num calor infernal, num vôo estranho, apertado mas com comissários super simpáticos. somente uma não gostou de mim desde o início. sempre passava reto com o café. Na terceira vez não tive jeito “scuza ragazza! io voglio un cafe anche!”, ela ficou puta, foi alto pra ela e meia duzia ouvir. Ela voltou, me serviu cafe e se foi.

Pra sempre.

Foi uma noite dificil, mas mudei de poltrona e ficou tudo bem, o outro comissário era birmanês (são ótimos todos eles, mesmo os malas ou desconfiados) e falava português. Aí ficou fácil…

Estava num vôo italiano sentido à Tailândia, fui ate Milão pois era o melhor vôo na relação custo-benefício e eu não queria benefício algum. Só queria chegar.

Mas não é certo reclamar somente, antes de sair de Paris ainda tive ótimos dias. Descobri uma grande amiga, conheci a família de outra, com uma autêntica-alternativa “mami” (avó) francesa divertidíssima. Até pulei carnaval em pleno dia de domingo. Dormi no aeroporto porque o vôo saía antes do metrô iniciar. Conheci um paquistanê -gente-fina- e talvez passe por lá logo mais. Conheci tambem um turco, um iraniano e indus eu já conhecia.

Agora posso ir por terra da europa até a Ásia.

Cheguei aqui, onde chamo de casa também, no prenúncio da balada. Cheguei de suspresa, meu quarto estava locado a outro…

Ok, nem dormi direito aquele dia mesmo…

Dia seguinte, uma balada “kinky”.

O quê?, perguntei, realmente do topo da minha ignorância.

“Kinky”, ao que pude perceber mais tarde é uma denominação pra festa gay. Bem gay.

Festa da galeria de arte, terceiro andar. Todos entravam bonitinhos, se trocavam em um dos quartos que estava pronto pra isso (tudo pensado) e saiam pra balada com suas ventimentas “kinky”. Era um tal de calça de couro sem bunda que você nem acredita. Meninas só de langerie também, chicotes, cinta-ligas… O engraçado de baladas gays é que as lésbicas não vão muito. Então as meninas que vão, “straights”, quando acham outro semelhante, não se incomodam trocar uns beijinhos.

Beijei todo mundo da festa graças a uma coleira que me colocaram, exceto as amigas mais próximas. Não posso reclamar de festa “kinky”. tava precisando de um pouco explosão momentânea…

Na europa e tudo muito frio. e quando fica asssim, afeta as pessoas também.

Fica tudo meio …frio.

Exceto pelo carnaval, que era bem brasileiro.

Duas da tarde de domingo, pegamos o metrô até onde se iniciaria a saga. Minha amiga habilidosamente se vestiu a caráter, eu não tinha tanto, apenas duas blusas e um casaco.

Ela foi toda linda, eu fui de turista.

No metrô já se via o início, parada à parada o vagão se enchia de fantasiados. No ponto final já era o carnaval em si. foi só sair a praça pra encontrar a bateria.

Prum frio de -4 até que fez calor.

Ninguém mais reparava ao branco insípdo da neve marcando a linha entre os lindos “cafés”, o rebolado do mulato era muito mais gostoso. As meninas , francesas e brasileiras nem se distiguiamN no berimbau, a francesa levava as toadas em seu sotaque, fazendo o povo girar na capoeira, criancinhas francesas, todas de fantasia. Luis XVI, gato, vampiro.

E quando encontramos com o ano novo chinês então foi o clímax. Cruzamos as prossissões e seguimos junto.

Carnaval, ano-novo chinês, dia dos namorados tudo no mesmo dia.

Tinha de tudo na festa.

Pulamos até as 7 da noite.

Um grande dia.

Mas antes…

Minha Paris pôde ser dividida em três partes: Montreil, Ferrieres-en-Brie e Paris.

Montreil- por lá fiquei numa amiga antiga muito atenciosa, mas estava passando por tantos maus bocados que eu, intruso, estava enrolado no meio de campo. No fim ela saiu da casa e eu fiquei (!!!) com os amigos dela. Descubro depois que um deles eh amigo de amigos proximos e periga até conhece minha ex. São Paulo, a maior província do mundo, falavamos. Foi ótima a estadia, pena que fiquei tempo demais da conta e estorvei um pouquinho… mas nos fins-de-semana eu sempre dava uma escapada e ía para…

Ferrieres-en-Brie – cidadezinha pequena que cresceu as custas da Eurodisney, ali do lado. Tem uma linda floresta e alguns casarões antigos…

Pra lá eu fui visitar minha amiga -muito-muito-muito querida- e passar com ela os fins de semana. num deles ficamos por lá, botando o papo em dia e vendo a neve cair. No outro ela me levou pra conhecer sua avó, uma personagem única. Chegamos a cidadezinha, repleta de casa antigas, algumas da idade-média ainda e adentramos no “reino da avó” . Ela sempre me falava dela, super natureba, somente comia vegetais, tinha uma horta em sua casa… chegamos em pleno inverno e a horta não estava lá. Mas a senhora, no mais saudável 83 anos que pude ver em minha vida até então, era por demais simpática. Comi plantas estranhas, ajudei-a a consertar pequenas coisas em seu piano – ela queria que eu o afinasse, jamais terei essa proficiência…- falamos sobre os gamos que comem a sua horta e novas formas de energia limpa. Tudo em francês, nem sei como nos entendíamos, eu não falo francês. Ou não falava…

Quando não deu mais pra ficar eu apelei pra uma amiga-de-amiga que era minha amiga mas não sabia ainda. liqguei as 22h e pedi abrigo.

Coração mais grande do mundo, ela me acolheu sem nem pensar 2 vezes, ou 3. Seu coração era realmente maior do que uma casa, principalmente a casa dela. Dormi feliz e contente debaixo da mesa do computador. Sabe, pela Europa se acha que 12m quadrados é casa.

Foi o melhor 12 quadrados que conheci.

Nos encontramos, Nos reconhecemos, nos gostamos. Cozinhamos, falamos de tudo, ou quase tudo. E o melhor, fizemos coisas normais. Não gosto de coisas turísticas, desprefiro. Então caimos na balada local, rock anos 50, delícia. Descobrimos uma linha de trem desativada e a invadimos, passando a tarde caminhando pela linha vem o mato crescer e falando da vida.

Essas linhas são bonitas talvez por mostrarem movimento, estatica, barulho e paz e seu enorme silêncio. Sabe quando você acaba de conhecer a pessoa mas parece que já a conhece a anos? Saimos de linha a caminhar até em casa, não sem antes provar a melhor baguete da cidade, um simulacro de pão de queijo e os famosos crepes…

Dia seguinte foi o carnaval que eu já contei…  Acho que de Paris me foi a melhor coisa que aconteceu.

Segunda-feira à noite fui para o aeroporto e lá passei a noite esperando meu vôo a Milão. Porque não fazem uma área 24hs nos aeroportos? Algo mais confortável, que as pessoas pudessem passar lá seu tempo e dinheiro numa boa, sem ter que se espremer entre as cadeiras ou fumar do lado de fora, num frio do cão, a noite inteira?

Ps: No ultimo dia de frio intenso em Paris acho um puta casaco legal no metrô, de boa costura, super quente. No ultimo dia tilintando no casaquinhos brasileiros.

Peguei o vôo achando que estaria nevando mas só estava chovendo. Não tão menos mal… Faz frio no norte da Itália.

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Benvinda vinda a Paris

February 3, 2010

Calçadas molhadas

O frio que bate no rosto

E corta qualquer pensamento

A ciencia de ser um estranho

Num mundo de estranhos

O desejo de cessar os carros

As sirenes

O crescimento dos cabelos

As malicias

O proprio desejo em si

Parar que eu quero descer

Ou nao,

Para que eu quero subir

Em mim, proprio de desejo

malicioso

como sao os pelos

sirenos

encantando o ceu-mar e suas naves

De estranho o mundo

ex-estranho por ciencia

que no pensar-navalha

esbofeta o rosto

molhado na calçada.

Hoje eu fecho um janela.

Abri tao logo cheguei ao Brasil

Pulei e vivi (e nao)

E realmente nao te importam

E nao contarei aqui.

Muito e pouco mudou, pouca coisa, muita mudança.

Perdi meu doce, criança roubada. Pior que isso: incauta, nao soube cuidar, deixou cair na areia, derreter.

Mas… acontece. Chora chora, enxuga o rosto e corre pro gira-gira.

Pego um voo e 11 horas depois estou em Paris. Umida, fria como o cao, linda como sempre.

Descobri como me situar um pouquinho, que marais (mareh) eh onde tem o melhor falafel, que tem salvia em notre-dame pra fazer 300 kilos de macarrao na manteiga e suas folhas. Que alem de queijo, bom mesmo eh se perder pela cidade, sempre com um bom guia ( que alias, o da folha eh bem melhor que os gringos), e que se tu nao fala frances, ha alguns pubs irlandeses espalhados pelo centro onde eh possivel, estando soh ou acompanhado, passar um bom tempo conversando sobre qualquer coisa. Das duas vezes que estive lah pude ate mesmo conversar em portugues, hoje com um ingles, da outra vez com um vietnamense.

Tirando o frio que mata, a cidade durante a noite eh linda. Suas luzes amarelas preservam o charme aceso e quente, sempre a base de muito cafe, vinho e turistas.

Nao existe baratinho aqui, eh lenda. Existe o local. Se eh barato? Eh, pro europeu, pra quem ganha em euro, pra quem ganha muito. Mas ainda assim vale a pena.

Comprar um vinho bordeaux por 6 reais, um camembert por 3 reais e uma geleia deliciosa cereja por 2. Se quiser, uma baguete por 3 e pronto, menos de 15 reais e tu tens um otimo banquete pra dois, tres ou ate quatro.

Ou a felicidade bebada dos sozinhos. Nesse caso, compre o pao, te salvara no final, tenha certeza disso.

Ta sem grana nenhuma? Dorme no metro. Otimas estacoes, silenciosas, quentinhas… soh nao esqueça de deixar a mala em gare du nord (4euro, 72H) senao corre o risco de acordar sem nada no dia seguinte.

Primeiro domingo do mes os museus sao gratis em toda a cidade

Em maio eles abrem durante a noite.

E se tu pagas 20euros por mes pode ir ao cinema (rede comercial) quantas vezes aguentar!

Uma hora tomo vergonha e vou ver velhos amigos.

Monet

Renoir (passando um temporada no Grand Palais)

Rodin

Picasso ta chateado, nao mostrara as caras nem no proximo mes.

(reformando a casa)

tomar um cafe com eles e olhar a vida alheia.

Comecei a ficar angustiado

quase cheguei a me apaixonar

poderia se quisesse

mas nao quis, melhor deixar como esta. Nao eh dificil se apaixonar por uma francesa, com esses labios e aquele sotaque…

Mas a angustia eh da ida. Preciso me mover, sair daqui ou pra trabalhar ou pros tropicos. E rapido.

Um dos inconvenientes de viajar de graça, esoerar no meio do caminho pela conclusao das coisas e a dita cuja passagem pra Indochina.

Ah que saudade!!!

Como serah que estarah? Mesmo cheiro de molho-de-cachorro-molhado?

Certamente…

E gira o gira-gira.

Girou que girou que ate vai me dar um filho, mas depois eu conto.