Archive for July, 2009

Eu e minhas mulheres

July 21, 2009

Um cafune

Um cheiro

Carinho nos pes

Um beijo

Com mordida

Nariz com nariz

Dormir com a boca na boca

Cada uma eh de um jeito

Cada uma eh diferente

Da outra.

Sabe qual eh a que mais amo?

casaltrat

Minha filha.

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A revolucao sera televisionada?

July 17, 2009

Revolucao.

Por aqui soh se fala em outra coisa. Nestas bandas o descontentamento ao governo eh ate aceitavel, mas ‘a realeza, jamais. O rei esta estampado em diversos cartazes pela cidade, em quase todos os estabelecimentos e casas (senao todos). Pisar em dinheiro aqui eh crime, como se ousa a pisar na imagem do rei?

Entao, por agora, vou contar coisas que nao estou vendo, nem mesmo ouvindo, porque ninguem me disse, ninguem pensa, ninguem sabe.

Nao me disseram que por aqui a situacao esta praticamente por um fio. Estas manifestacoes que ocorrem quase todos os dias mas ninguem sabe, pois ninguem viu, sao soh um preanuncio do que vira logo. Digo, nao vira, pois ninguem pensa nisso.

O que nao acontece eh que a insatisfacao por aqui eh quase geral. Existe uma divisao entre insatisfacao plena e ignorancia frente a possibilidade de mudanca, na aceitacao da “sobrevivencia” como padrao aceitavel para se viver. Portanto se ve por aqui, ou melhor, nao se ve por aqui tanto apaticas folhas flutuando na correnteza como tambem pequenos seres vivos que teimam em se segurar e nadar contra.

Voce prefere ser um folha solta?

Eu prefiro ser um bicho-vivo, mesmo que bicho-planta, que contesta, teima em crescer no mesmo lugar, em nao se deixar levar, a buscar a luz que lhe da o prazer mais intenso, a vida nas pontas vivas dos dedos.

Parece que o povo aqui esta cansando de ser folha.

Mas ninguem diz, ninguem ouviu, ninguem viu.

Ninguem sabe que o desgosto frente ao principe herdeiro eh geral. E que o velho anciao ja esta entrando na reta final. Todos comentam calados sobre os proximos movimentos.

O tabuleiro esta imovel, mas uma proxima jogada se aproxima.

Nas radios locais e TVs se ve, com mais frequencia, propagandas referentes a realeza, como os guias do pais, “ame o rei e seu filho”, coisas assim. Radios em ingles e em thai propagam diariamente mensagens para tentar manter o cardume unido.

Eh uma especie de tensao budusta, ninguem comenta mas todo mundo sabe o que ninguem sabe.

Porque soh se fala em outra coisa.

Parece que, em linhas curtas, o que ocorre eh o seguinte: o rei ta indo encontrar seus antepassados, e o principe herdeiro nao eh querido pelo povo. Contudo ele detem relacoes com exercito e politicos, que por sua vez tem o rabo-preso com a realeza. Tudo indica que seu passado fanfarrao tem muito a ver com essa rejeicao. O thailandes gosta mesmo da princesa, que nao eh a herdeira direta, mas conquistou muito respeito e admiracao.

O que mais nao se fala por aqui eh que quando o rei subir no barco de Hades a revolucao se iniciara.

Ja eh possivel ver mudancas em leis, algumas como restricoes aos “farang” ou pequenas leis que mudam semanalmente, como que para acostumar  o cardume ao controle de imposicoes repentinas.

Quando tomaram o aeroporto tempos atras, a acao foi coordenada mas soh obteve exito pois contou com a adesao de muitos dos que antes eram apaticas folhas. Na verdade nao eram, apenas viviam semente a espera de um catalizador.

E em material de catalizadores, a travessia do rei sera gasolina pura.

Como disse um ingles morador daqui:

“A nitro ja foi jogada pra cima, vamos esperar ela tocar o chao ou saimos antes?”

Imagino um Big-Bang com bastante pimenta fresca, capim-santo, folhas de limao e coconut milk. A pimenta vai queimar por dentro e por fora, longamente. O capim-santo, que voce pode pensar sera pra refrescar o ardor –mentira-, apenas temperara o caldo ebulindo em acido picrico. O limao dara um azedo especial as lutas contra as instituicoes vigentes, de forte tempero tambem, todo tendendo ao vermelho-sangue do tomate e ao breu molho de peixe. O coconut milk, esse sim virah no final para livrar o cardume de postas de toda a tristesa aspera dos temperos revolucionarios. Virah limpar a alma dos peixes e acaricia-los com seu frescor de odor e paladar.

Mas a pimenta sempre se fara presente, assim como todos os temperos. Ha muita pimenta nesta sopa revolucionaria. Fresca vermelha, seca calabresa, do-reino preta e branca, kmer e chinesa, jovem e ancian… de todo o tipo.

Tudo junto num belo caldo de cultura asiatica prevalescentemente budista. Bota um pouco de molho de ostras e de peixe, para dar aquele gostinho e cheiro caracteristico…

E pronto, esta feita a Tom-Yum da revolucao.

A panela jah esta no fogo. Logo logo o caldo fica pronto.

Mas ninguem fala a respeito, pois ninguem pensa nisso.

Afinal soh se fala em outra coisa.

Fala-se nas moncoes que virao lavar a alma dos seres daqui.

Do resto nao se pode falar.

Jah da ateh pra ver a tempestade chegando.

cansaco

Eu e meu ingles

July 12, 2009

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Cada dia surpreendo por aqui.

Descobri que meu ingles eh sazonal, acompanha as mares ou a umidade relativa do ar (no meu cerebro). Tem dias que sou um falante feliz, outros enrolo a lingua em todas e nao falo picas. Acho coisas e perco outras nesta lingua que temos que saber quase por obrigacao.

Engracado sao as manhas, quando acordo meio zoado e comeco a falar em portugues com o povo. Demoro pelo menos duas frases pra lembrar que nao falam isso por aqui, portugues. Aih me chega um londrino e diz que eu posso dar aulas de ingles por aqui! Parece ate piada, nem dou muita bola… acho que preciso adestrar um pouco mais de ingles por aqui. ele ainda nao senta toda vez que eu mando. detar e rolar, nunca. soh fica me pedindo comida, comida, me olhando com aqueles olhos de cachorro faminto.

Quer ver uma coisa engracada? Outro dia perdi meu “dutch”, nao achava ele em lugar nenhum! “dutch” foi o que a inglesa entendeu quando eu falei “torch”, lanterna. Virou a piada do dia. Sempre que estamos amoados alguem solta: “alguem viu o holandes do thi?”

Eu consigo me comunicar bem por aqui, conversamos longamente sobre tudo, fazemos piadas, as vezes ate mesmo esqueco que estou falando ingles.

Meu tailandez que nesta semana deu sinal de vida. Botei uma sementinha, reguei com alguns numeros e acho que estou vendo brotar alguma coisa. Neste quesito me sinto nao mais uma crianca de 8 meses e sim com 1 ano e pouquinho. Entendo algumas frases, os numeros, as maneiras de se falar, falo bem pouquinho, o essencial do minimo, na verdade. Como um bebe.

Outro dia fui na feira, cruzei um amigo e o levei junto, ele eh panamenho mas as vezes nos esquecemos e nos falamos em ingles. Na feira ja fui na dona que vende os aspargos (aqui tem duas coisas fabulosas e muito baratas: cogumelos e aspargos) pergunto preco das coisas, escolho salada, cogus, batata (cara pra caramba), e pergunto sobre os aspargos, ela me diz o preco. Ta caro, eu digo, e ela comeca a me explicar:

“muita chuva, o preco subiu mesmo neste mes. Mas eu posso vender metade pra voce, quanto vc quer?”

Confesso que nem sei como entendi isso. Juro que veio do nada. Veio “alto” “preco” “chuva” “metade” “quer?”. Bastou.

Escolhi e ainda barganhei. Ganhei.

Santiago me olhando, “voce fala thai?”

E eu, “eu nao, nadinha.”

Santi, “como voce entendeu?”

Eu, “nao faco a minima ideia.”

Noutro dia fui no macdonalds, tive que esperar o lanche ser feito, quedei-me a ler um jornal ali quando ouvi “seu lanche ta pronto” me virei e era comigo mesmo. Peguei meu lanche e sai.

Ontem mesmo fui a feira de novo, adoro aquela feirinha, e comprando bananas –a qual pechinchei de novo, e ganhei-  a dona, com aquele sotaque do norte, me pergunta de onde eu sou. O mais estranho foi que essa frase eu ja havia ouvido 1 milhao de vezes e nunca entendido, mas desta vez foi simples, facil e rapido.

“Brasil!”

“Oh! Barassil? Gud futbol.” Disse, apontando o dedao pra cima.

Mas tem vezes tambem que eu nao entendo patavina do que falam, seja em ingles ou thai. Nestas horas me finjo de bom entendor e vou com a mare dos sons. Se percebo uma pergunta, digo what e passo a prestar atencao redobrada.

Preciso regar mais meu thai e alimentar melhor meu ingles, trata-lo e lava-lo pra passaer de vez em quando. Tenho um francesinho tambem, mas ainda eh muito pequeno, um zigoto ainda, preciso de mais tempo pra faze-lo crescer um pouquinho que seja… tirando que meu ingles eh um tanto quanto ciumento, basta eu comecar a brincar com outra lingua que ele ja fica bravo, ladra, faz o maior escarceu…

Mas no geral me dou bem com meu ingles, ele ainda eh pequenino, cabe numa caixinha pequena, as vezes o alimento, as vezes nao, aih ele fica chateado e nao fala mais comigo.  To cultivando ele, meu escravo fonetico, para que fique bem grandinho e forte. E quando seu dedinho estiver gordo, eu o como.

Jogo dos sete erros

July 11, 2009

Consegue descobrir o que nao eh daqui?

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Fuga de Bangkok

July 9, 2009

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Fugi, eu confesso. Isso foi a tempos, por aqui 2 semanas parecem 2 meses.

Fugi mesmo, ja estava de saco cheio da cidade grande, estagnado muito tempo no mesmo lugar, primeiro esperando equipamento depois esperando a doenca me larger.

Eu somente. Godot que eh bom, nada.

Alias, esse tal godot nao tem compaixao? Quantos ele ja nao fez esperar?

Cansei disso e fui-me lavar nas agues do golfo da Tailandia.

E fui bem preguicoso, como se tivesse ido de Sao Paulo a Ilha-bela, 3 horinhas, meia num barco e pronto, estava na ilha Samet, kho Samet.

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Bela ilha esta, Samet. Tem entorno de 2 km de largura na maior porcao por 9 km de comprimento. Chegando lah, adivinha qual foi a primeira coisa que vi:

Logico, um 7eleven. Por aqui eles se proliferam mais que barata. Acho que deve ser o clima…

Voce chega do barco na parte mais desenvolvida da ilha. Meia duzia de casas, a maioria guesthouses, ou resorts, como eles gostam de chamar. Um amigo me disse para nao se esquecer de ir sempre pra esquerda, dessa maneira poderia fugir do guarda-parque e nao pagar a taxa de entrada. A ilha eh um parquet natural, eles nao ligam muito para lixo ou construcoes em morros ou beira de praia, mas a taxa eh sagrada.

Eh claro que fui um pato completo e nao conseguir fugir do “seo gualda”, desenbolsei 200baths e fui atras de uma pousada.

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Todas as pousadas daqui tem semelhantes precos, o dobro ou mais do que Bangkok, geralmente sao confortaveis, banheiro dentro do quarto, ventilador… A/C ficaria muito mais caro, mas existe. Nao olhei muitos lugares, a noite caiu rapido trazendo consigo todo o meu cansaco e desejo de ficar “cool”. Barguanhei como sempre, e como quase sempre consegui um desconto. Escolhi um quarto muchibento e agora era o mais novo ilheu da regiao, pelo menos pelos proximos 4 dias. Ar limpo, silencio, era tudo o que precisava. Agora, vento, mesmo a doce brisa do meio-dia, era tudo o que mais queria.

Nao venta em BKK, nunca. Ta bom, nunca eh muito forte, foi a paixao que me fez escrever assim, venta sim em BKK, 5 min antes da torrencial chuva. Mas sentir a brisa aqui foi como estar sentindo algo pela primeira vez, sentimento de crianca.

Acordei cedo no dia seguinte e fui desbravar a ilha, e como acontece em todo lugar, basta se afastar do “centro” para surgir a beleza. Praias lindas, bungalows com vista para o mar, tudo lindo, tirando a placa da pepsi no meio de tudo. Mais um sorvete de feijao e pes-a-obra.

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Confesso que nao fui ate o fim da ilha, tive preguica. Mas o que conheci me deu gana de conhecer mais e mais. Nunca tinha estado nas praias tailandesas antes. Gostei do que vi, e olha que fui pra piorzinha das praias locais, a mais proxima, mais lotada, como dizem por aqui, a mais badalada pelos locais.

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Tive sorte, fui num domingo a noite, portanto nao havia mais muitos turistas na ilha, praias quase vazias, era a paz que eu precisava conservar pra tentar ser feliz.

Coisas simples: taioba, lixo na praia, bares em toda a oral das principais praias. Numa manha me senti muito bem, cheguei um bar desses, pedi um café expresso (eh um parto achar um bom café por aqui) sentei-me a olhar o mar e realizei o jazz que estava ouvindo, muito bom jazz, inclusive musicas brasileiras. Aquela manha comecou bem. Tentei mergulhar, mas a agua nao estava boa. Nao foi desta vez, ainda. Mas a vontade cresceu extratosfericamente. Mais ainda depois que conheci a fernanda, uma mergulhadora professional que me contou sobre os melhores points de mergulhos da regiao.

Preciso muito mergulhar. Muito.

Acredita que nao mergulho de verdade desde antes da Nina nascer? Parece loucura como o tempo voa em alguns “mundos”. Pra mim parece ontem que fui a abrolhos…

Saudades,saudades… mas desse ano nao passa. Pode ter certeza.

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Cai a noite e temos shows pirotecnicos na praia, de deixar no chinelo qualquer um no Brasil. Na primeira eh ate legal mas depois cansa um pouco. Chamei este bar de partybar. O mais “badalado” do local.

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Terceiro dia a fui para o outro lado da ilha, muito menos turistico, muito mais “local”. Marinas de concerto e construcao de barcos, casas abandonadas opcupadas por pescadores, e resorts chiques e vazios. Deste lado encontrei um bom bar-pousada, tranquilo, boa comida thai, o dono eh um ingles que se enrrabixou com uma tailandesa e passou a morar na ilha. Voce vai visitor a familia e amigos de vez quando? Nunca fui, faz 5 anos. Nao preciso, eles vem aqui…  ta certo, certissimo. No ultimo dia peguei minhas coisas e fui pra la, ali sim encontrei somente thais e a praia vazia. Delicia.

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Sai da ilha no dia mais bonito de todos, daquele que faz a mar ficar azul turquesa. Precisava ir, meu dinheiro havia acabado completamente.

Voltei pra Bangkok com aquele gosto de mar na boca e a certeza de que preciso conhecer as ilhas do sul. Cheguei em bkk e estava tudo na mesma, como sai meio derrepente, o povo daqui ate sentiu uma saudade. A distancia de tudo o que pode ser natural eh tao grande que nos apegamos a tudo o que parece comum.

Ate mesmo desconhecidos.

Saudades… hahaha! Isso soh existe em minha lingua, todos os outros sentem falta.

Aqui soh eu sinto saudade.

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Eu sou assim

July 7, 2009

azul no azul

Hoje eu chorei todos os meus amores vividos e nao vividos.

Por tudo aquilo que sabemos que nao volta mais

momentos imoveis

mentes em movimento.

Tudo quanto mais desejamos

e deixamos de desejar ao mesmo tempo.

As pequenas coisas, os grandes sorrisos.

Os minimos tambem,

muito mais intensos e nocivos do que os primeiros.

Chorei por todo amor que nao nao pude ver,  vivi.

Todo aquele vi, e nao pude viver

E pelos que quero viver.

Ivy, Simone, Carol, Ma, Ia’, Le, Juju, Ana, Thi, Aninha, Marina

E derrepente

Como uma avalanche

Tormentas e tormentas de diferentes tristesas

Atravessando as matas da minha mente

Vinham em doh

De todas as petalas dos ventos.

E chorei e chorei e chorei.

Lembrancas, imagens, passados

Derramei lagrimas por tudo

Gotas formando lagos

Formando rios, formando mares

Oceanos de tristesas

Desde a mae morta

Ate a criancinha suja em qualquer parte do mundo

Qualquer uma e todas elas

Ana, Paulinho, Ivo, Nete, Nair, Alexandrao, seo Silvio, Joses, Marias, Antonios, Joanas.

Chorei por tudo

tempo que padece

terra que sangra

Por ela e por outros

Chorei ate ate o fim do mundo

Ate doer.

Depois parei, enxuguei tudo. Respirei fundo e fui viver o presente.

Foram apenas gotas no oceano.

Foi um filme.